As
pesquisas sobre a matéria inerte alcançaram, não há a menor dúvida, um notável
progresso.
A
Física, a Química, a Astronomia permitiram ao homem a concepção de hipóteses
realmente extraordinárias. Estas hipóteses levadas ao cálculo, nos apresentam,
por vezes, resultados surpreendentes e mesmo inimagináveis anteriormente.

Na
Biologia as coisas se estudam mais hipoteticamente que mesmo à luz dos cálculos
matemáticos.
Não
podemos negar, é verdade, o esforço de um número não pequeno de cientistas que
tentam, a todo o custo, desvendar os segredos que envolvem os fenômenos da
matéria viva.
Mas a
realidade é que, não obstante todo esse esforço, a ciência dos seres vivos
ainda estaciona no estágio puramente descritivo.
O corpo
humano é cortado, dividido e estudado em todas as suas minúcias, mas é um
estudo exclusivamente constitucional, que não chega a permitir a apresentação
rigorosa dos cálculos algébricos.
A
ciência ainda não sabe definir o que seja a vida e todas as teorias
apresentadas sobre a origem da vida sobre a Terra, não chegam a convencer e são
rejeitadas.
A
matéria viva de todos os seres é formada por uma substância plástica denominada
plasma.
Não se
obtém o plasma por meio de nenhuma combinação química ou mistura de
combinações.
O
plasma em si é uma verdadeira máquina em ponto pequeno. A substância viva
plasma apresenta-se em um corpúsculo microscópico denominado célula. Portanto,
a célula é a unidade elementar da vida.
Em
média o comprimento das células é de 0,02 mm.
O modo
clássico de explicar a constituição de uma célula é compará-la com um ovo,
embora este seja cerca de um milhão de vezes maior que uma célula. Dentro do
ovo a gema amarela flutua no meio da albumina líquida. Dentro da célula seu
núcleo flutua no meio do plasma.
O
plasma assemelha-se à espuma de sabão, em que os alvéolos estão cheios de
líquidos, açúcares, soluções de albuminas e sais diversos. A substância das
paredes desses alvéolos embora sólida, de albumina viscosa, amido e gorduras
espessas, não é impermeável, pois deixa passar certos grupos de moléculas não
muito grandes através de poros moleculares extremamente pequenos.
A
alimentação, para poder penetrar pelos poros moleculares, deve ser bastante
dividida em suas porções moleculares. Em média o corpo humano compõe-se de 30
trilhões de células.
Admite-se
e demonstra-se experimentalmente que a célula funciona como um aparelho
emissor-receptor de ondas éter.
As
células reunidas formam os tecidos e os órgãos.
Só
ultimamente os anatomistas conseguiram analisar as propriedades das células,
embora já conhecessem anteriormente os caracteres gerais dos tecidos e dos
órgãos.
Como já
o dissemos, cada célula é um verdadeiro organismo muito complicado.
Atualmente
já se consegue projetar em uma tela, filmes de células com tal aumento que seu
tamanho fica superior ao de um homem. Assim sendo, os órgãos das células se
tornam visíveis e podem ser analisados.
Escreveu
Alexis Carrel,
referindo-se à célula: No meio do seu corpo vê-se flutuar uma espécie de balão ovoide, de paredes elásticas, que parece cheio duma gelatina completamente
transparente. Este núcleo contém dois nucléolos que mudam lentamente de forma. A volta dele há uma grande agitação que se produz sobretudo ao nível dum
amontoado de vesículas, correspondentes àquilo a que os anatomistas dão o nome
de aparelho de Golgi ou de Renaut. Grânulos, quase indistintos, movem-se sempre
em grande número nesta ocasião, correndo também até aos membros móveis e
transitórios da célula. Mas os órgãos mais notáveis são uns longos filamentos,
as mitocôndrias, que se assemelham a serpentes, ou, em certas células, a pequenas
bactérias. Vesículas, grânulos e filamentos agitam-se violenta e continuamente
no líquido intercelular.
A
complexidade aparente das células vivas já é muito grande. A sua complexidade
real é muito maior. O núcleo que, com exceção dos nucléolos, parece completamente
vazio, contém, não obstante, substâncias de maravilhosa natureza. A
simplicidade atribuída pelos químicos às núcleo-proteínas que o constituem é
ilusória. De fato, o núcleo contém os genes, esses seres de
que tudo ignoramos, exceto que são as tendências hereditárias das células, e
dos homens que delas derivam. Os genes são indivisíveis. Mas
sabemos que habitam nos cromossomos, esses corpos alongados que aparecem no
núcleo claro da célula, quando esta se vai dividir. Nesse momento os
cromossomos desenham confusamente as figuras clássicas da divisão indireta.
Depois os dois grupos afastam-se um do outro. Vê-se, então, nos filmes, o corpo
celular abanar violentamente, agitar em todos os sentidos o seu conteúdo e
dividir-se em duas partes, as células-filhas que se separam deixando atrás de
si filamentos elásticos que acabam por desaparecer. É assim que individualizam
dois novos elementos do organismo. Tal como os animais, as células pertencem a
várias raças, que são determinadas por caracteres estruturais e funcionais.
Células que sejam provenientes de regiões espaciais diferentes, por exemplo da
glândula tireoide, do baço ou da pele, mostram naturalmente tipos diferentes.
Mas, coisa inexplicável, se, em momentos sucessivos, se reconhecem células duma
mesma região espacial, verifica-se que também elas,constituem raças diferentes.
O organismo é tão heterogêneo no tempo como no espaço. Os tipos celulares
dividem-se grosseiramente em duas classes. As células fixas, que se unem para
formar os órgãos, e as células móveis, que viajam por todo o corpo.
As células
fixas compreendem a raça das células conjuntivas, e a das epiteliais, células
nobres que formam o cérebro, a pele, as glândulas endócrinas. As células
conjuntivas constituem o esqueleto dos órgãos. Existem em toda parte. Em volta
delas acumulam-se substâncias variadas, cartilagens, ossos, tecido fibroso,
fibras elásticas que dão ao esqueleto, aos músculos, aos vasos sanguíneos e aos
órgãos a solidez e a elasticidade necessárias; metamorfoseiam-se também em
elementos contráteis. São os músculos do coração, vasos do aparelho digestivo e
também os do aparelho locomotor.
Embora nos pareçam imóveis e usem o seu velho
nome de células fixas, são, no entanto, dotadas de movimento, assim como a
cinematografia nô-lo mostrou. Mas os seus movimentos são lentos. Deslizam no
seu meio como óleo estendendo-se na água, e arrastam consigo o núcleo que
flutua na massa líquida do seu corpo. As células móveis compreendem os
diferentes tipos de leucócitos do sangue e dos tecidos; o seu movimento é
rápido. Os leucócitos de vários núcleos assemelham-se a amebas. Os linfócitos
arrastam-se mais lentamente, como pequenos vermes. Os maiores, os monócitos,
são verdadeiros polvos que, além dos seus braços múltiplos, são rodeados por uma
membrana ondulante; com as pregas desta membrana envolvem as células e os
micróbios, de que em seguida se nutrem com voracidade.
Quando
se cultivam em frascos estes diferentes tipos celulares, os seus caracteres
tornam-se tão aparentes como os das diferentes raças de micróbios. Cada tipo
possui propriedades que lhe são inerentes, e que conservam mesmo quando está
separado do corpo durante anos. As raças celulares caracterizam-se pelo seu
modo de locomoção, pela maneira de se associarem umas às outras, pelo aspecto
de suas colônias, e pela proporção do seu crescimento, pelas substâncias que
segregam e pelos alimentos que exigem, tanto como pela sua forma. Cada
sociedade celular, isto é, cada órgão, deve as suas leis próprias a essas
propriedades elementares. As células não seriam capazes de constituir o
organismo caso apenas possuíssem os caracteres conhecidos pelos anatomistas.
Graças às suas propriedades habituais, e à enorme quantidade de propriedades
virtuais, susceptíveis de se manifestarem em resposta a modificações
físico-químicas do meio, as células fazem face às novas situações que se
apresentam no decorrer da vida normal das doenças. As células associam-se em
massa densa cuja disposição é regulada pelas necessidades estruturais e
funcionais do conjunto.
O corpo
humano é uma unidade compacta e móvel, cuja harmonia é garantida pelo sangue e
pelos nervos de que estão providos todos os grupos celulares. A existência dos
tecidos não pode conceber-se sem a de um meio líquido. A forma dos órgãos é
determinada pelas relações necessárias das células com seus vasos nutritivos.
Essa forma depende ainda da presença das vias de eliminação das secreções
glandulares. Toda a disposição interior do corpo depende das necessidades
nutritivas dos elementos anatômicos. O plano arquitetônico de cada órgão é
inspirado pela necessidade que as células têm de estar imersas num meio sempre
rico em matérias alimentares e nunca obstruído pelos resíduos da nutrição.
Sendo a
harmonia do corpo humano garantida pelo sangue, vejamos o que é esta
substância. Nada mais que um tecido análogo aos outros em que, entretanto, as
células ficam suspensas num líquido viscoso, o plasma, em vez de estarem
fixadas por uma estrutura. O tecido sangüíneo contém cerca de trinta mil
bilhões de glóbulos vermelhos e cinqüenta bilhões de glóbulos brancos.
Todas
as partes do corpo, por menores que sejam, são penetradas por este tecido
móvel, o sangue, que é o meio condutor de alimento para todas as células do
corpo. O sangue, ao entregar o alimento às células, e conseqüentemente aos
tecidos, recebe de volta os resíduos da vida dos tecidos.
Os
glóbulos vermelhos são pequenos sacos contendo hemoglobina que, ao passarem
pelos pulmões, recebem oxigênio e o distribuem por todas as células dos
diversos órgãos, recebendo em troca ácido carbônico e outros resíduos. Os
glóbulos vermelhos não são como os glóbulos brancos, células vivas. Estes
últimos glóbulos ora flutuam no plasma dos vasos, ora se dirigem, pelos
interstícios dos capilares, à superfície das células das mucosas do intestino e
de todos os órgãos.
Os
glóbulos brancos dão, pois, ao sangue a característica de tecido móvel, sendo
susceptível de se dirigir a qualquer ponto em que sua presença for solicitada.
Se uma região do organismo é invadida por micróbios, imediata e rapidamente os
glóbulos brancos acumulam em torno dos micróbios grandes quantidades de
leucócitos que combatem e infecção.
São os
glóbulos brancos, ainda, que, indo às feridas da pele e dos órgãos, produzem a
sua cicatrização.
Para
nutrir-se, para modificar-se, as células do corpo humano estão continuamente
recebendo matéria do meio exterior. Durante a passagem da matéria exterior
através das células, estas retiram a energia de que necessitam. Portanto, a
existência de nosso corpo físico se esteia completamente na matéria do mundo
inanimado.
Entretanto,
as leis são infalíveis: mais cedo ou mais tarde nosso corpo devolve ao mundo
inanimado toda a matéria absorvida.
Falando
sobre o enfraquecimento do corpo, diz ainda Alexis Carrel, no seu interessante
livro - O Homem, Esse Desconhecido: “Sabe-se que uma alimentação rica ou pobre
demais, o alcoolismo, a sífilis, as uniões consangüíneas, assim como a
prosperidade e o ócio, diminuem a qualidade dos tecidos e dos órgãos. A
ignorância e a pobreza têm os mesmos efeitos que a riqueza. Os homens
civilizados degeneram nos climas tropicais, e desenvolvem-se sobretudo nos
climas temperados ou frios. Têm necessidade dum modo de vida que imponha, a
cada um, um esforço constante, uma disciplina fisiológica e moral, e algumas
privações. Tais condições de existência dão-lhes a possibilidade de resistir
tanto à fadiga como às preocupações. Preservam-nos de muitas doenças,
principalmente nervosas, e impelem-nos irresistivelmente para a conquista do
mundo exterior.
A doença
é uma desordem funcional e estrutural. A variedade dos seus aspectos é tão
grande como a das nossas atividades orgânicas. Há doenças do estômago, do
coração, do sistema nervoso etc. Mas no corpo doente mantém-se a mesma unidade
que no normal: todo ele está doente, porque não há doença que fique
estritamente confinada num único órgão. Pela velha concepção anatômica do ser
vivo, os médicos foram levados a fazer de cada doença uma especialidade. Só
aqueles que conhecem o homem nas suas partes e no seu todo, sob o seu tríplice
aspecto, anatômico, fisiológico e mental, podem compreendê-lo quando está
doente.”
Todos
os órgãos possuem nervos sensitivos. Por intermédio destes nervos, comandados
pelo sistema nervoso central, os nossos órgãos entram em contato com o mundo
exterior. Portanto, nós sentimos as coisas exteriores de acordo com a
constituição e o grau de sensibilidade de nossos órgãos dos sentidos.
“Se,
por exemplo, a retina registrasse os raios infravermelhos de grande extensão de
onda,
a natureza apresentar-se-ia aos nossos olhos com um aspecto completamente
diverso. Devido às modificações da temperatura, a cor da água, das rochas e das
árvores variaria com as estações. Os dias claros de julho, em que as menores
particularidades da paisagem se distinguem, seriam obscurecidos por um nevoeiro
avermelhado. Os raios caloríficos, tornados visíveis, esconderiam todos os
objetos. Durante os frios do inverno, a atmosfera tornar-se-ia clara e precisos
os contornos das coisas. Mas o aspecto dos homens seria bem diferente. O seu
perfil apareceria indeciso. Uma nuvem vermelha, saindo das narinas e da boca
esconderia o rosto. Após um exercício violento, o volume do corpo aumentaria,
porque o calor libertado formaria à sua volta uma larga aura. Do mesmo modo, o
mundo exterior modificar-se-ia, embora de outra maneira, se a retina se tornasse
sensível aos raios ultravioletas, a pele aos raios luminosos, ou, simplesmente,
se a sensibilidade de cada um dos nossos órgãos dos sentidos aumentasse de modo
notório.
Ignoramos
as coisas que não exercem ação sobre as terminações nervosas da superfície de
nosso corpo. É por isso que os raios cósmicos não são apreendidos por nós
embora nos atravessem de lado a lado. Parece que tudo o que atinge o cérebro
tem de passar pelos sentidos, isto é, impressionar a camada nervosa que nos
rodeia. Apenas o agente desconhecido das comunicações telepáticas faz talvez
exceção a esta regra. Dir-se-ia que, nos fenômenos de vidência, o sujeito
apreende diretamente a realidade exterior sem utilizar as vias nervosas
habituais. Mas tais fenômenos são raros. Os sentidos são a porta pela qual o
mundo físico penetra em nós.”
Evidentemente
o corpo humano surge diante de nossos sentidos como uma tremenda complexidade.
As células que se encontram mais afastadas uma das outras trocam, entre si,
suas secreções. No entanto, apesar da complicada heterogeneidade do corpo
humano, ele age, fisiologicamente, com uma homogeneidade extraordinária.
– O
que, pois, administra esta complicada heterogeneidade de funções,
transformando-as numa perfeita homogeneidade fisiológica?
Deixemos,
ainda, a pergunta sem resposta.
Em
geral, os fisiologistas afirmam que as manifestações de vida, e mesmo de
inteligência, nada mais são que propriedades da matéria, embora concordem que a
matéria componente do corpo humano é exatamente a mesma matéria inanimada
conhecida. Eles, portanto, admitem que a matéria, formando os corpos inanimados
ou os corpos vivos, funciona diferentemente.
– Será,
porém, razoável e racional que os movimentos executados pelo homem, que o
equilíbrio e o funcionamento de seu complexo corpo, que as vibrações da matéria
cerebral, sejam simples propriedades da matéria, quando as propriedades desta
mesma matéria nos corpos inanimados, estão tão exaustivamente estudadas pela
Física e pela Química?
Se as
manifestações da vida nada mais fossem que propriedades da matéria, a
personalidade humana desapareceria com a morte do corpo, pois a matéria, uma
vez desagregada do corpo, voltaria a outros estados, tomando novas formas.
– E,
por que, no momento da morte, deixa a matéria de possuir as propriedades da vida,
se ela, em si, continua sendo a mesma matéria?
Há,
portanto, um outro princípio que não a matéria ou a energia, que abandona o
corpo humano, cessando, conseqüentemente, as manifestações de vida.
Entretanto,
dizem os materialistas, se há um Princípio-Inteligente que dá vida e movimento
à matéria inerte, por que a inteligência é afetada, se afetados são alguns
órgãos do corpo humano?
Com
esta teoria os materialistas creem ter provado definitivamente que a
inteligência é uma propriedade da matéria, pois basta lesar a matéria
organizada para afetar a inteligência.
Podemos,
porém, responder a este argumento dizendo que, se um homem dirige uma máquina,
e se algum órgão desta última sofre alguma lesão, conseqüentemente ele não mais
pode obter a mesma produção da máquina, e não se pode afirmar, também, que o
homem é uma propriedade da máquina.
O
grande fisiologista Claude Bernard é de opinião que a matéria, mesmo viva, é
inerte, isto é, desprovida de toda a espontaneidade, porém que pode manifestar
suas propriedades especiais de vida sob a influência de uma excitação, porque a
matéria é irritável.
As
religiões dizem que o homem possui uma alma, e que esta, ao abandonar o corpo,
vai para um determinado lugar do espaço receber os prêmios ou castigos, de
acordo com seus bons ou maus atos na Terra.
Cada
religião apresenta um Deus à sua moda e feitio.
São
atribuídas a Buda, as seguintes palavras, ditas, em seu leito de morte, a seus
discípulos:
“Todas estas opiniões teológicas não passam de quimeras; todas essas narrativas
da natureza dos deuses, de seus atos, de suas vidas, apenas alegorias, emblemas
mitológicos, sob os quais se escondem idéias engenhosas de moral e o
conhecimento das operações da natureza, no jogo dos elementos e na marcha dos
astros.
A
verdade é que tudo se reduz ao nada; que tudo é ilusão, aparência, sonho, que a
metempsicose moral não é mais que o sentido físico da metempsicose física,
deste movimento sucessivo, pelo qual os elementos de um mesmo corpo, que não
perecem, passam, quando ele se dissolve, para outros meios e formam outras
combinações. A alma não é mais que o princípio vital, resultante das
propriedades da matéria e do jogo de elementos existentes no corpo, onde elas
criam um movimento espontâneo. Supor que este produto do jogo dos órgãos
nascido com eles, adormecido com eles, subsiste quando os órgãos não mais
existem, é um romance talvez agradável, mas realmente quimérico, fruto de
imaginação iludida. O próprio Deus não é senão o princípio motor, a força
oculta espalhada nos seres, a soma de suas leis e propriedades, o princípio
animador, em uma palavra, a alma do universo, a qual, em razão da infinita
variedade de suas relações e operações, considerada ora como simples e ora como
múltipla, agora como ativa e logo como passiva, apresentou sempre ao espírito
humano um enigma insolúvel. Tudo quanto ele pode compreender de mais claro
nisto, é que a matéria não perece nunca; que ela possui essencial mente
propriedades pelas quais o mundo é regido como um ser vivo e organizado; que o
conhecimento dessas leis em relação ao homem, é o que constitui a sabedoria;
que a virtude e o mérito residem na observância delas, e o mal, o pecado, o
vício, em sua ignorância e infração; que a felicidade e infelicidade resultam
delas, pela mesma necessidade que faz as coisas pesadas descerem, e as coisas
leves subirem, e por uma fatalidade de causas e de efeitos cuja cadeia vai do
último átomo até aos astros os mais elevados.”
*
* *
De tudo
o que foi exposto neste capítulo o leitor pode depreender que cientistas e
filósofos não chegaram ainda a um acordo ou a uma conclusão sobre a matéria
viva.
Materialistas
e espiritualistas defendem veementemente a validade de suas teorias sem se
convencerem mutuamente.
– E por
que isto?
Por que
os homens geralmente só se entendem sobre aquilo cuja existência os sentidos
podem constatar, discutir e analisar.
– Como
poderá, então, haver este entendimento, se não podemos ter provas reais da
existência do Princípio-Inteligente?
Mas
estas provas existem. O conhecimento do homem já é um fato definitivo.
O
alcance intelectual do homem está apto a apreender os magníficos princípios
explanados pelo Racionalismo Cristão, doutrina que, fundada em 1910, se vem
batendo para libertar a humanidade de turco o que seja dogma, mistério,
preconceito, acorrentamento do raciocínio.
Estuda,
leitor, com isenção de ânimo, o Racionalismo Cristão, analisa friamente suas
afirmativas, sem religiosidade, sem fanatismo, simplesmente como um pesquisador
desejoso de descobrir as leis e os princípios básicos da ciência máxima, da
“Ciência da Vida”.
Matéria
Viva
Por Felino Alves de Jesus