Todos somos espíritos em evolução, então, após assistir as reuniões públicas, precisamos ter vontade para mudar nossas atitudes, ler os livros indicados pela Doutrina e fazer a Limpeza Psíquica nos horários indicados.” Felino Alves de Jesus

Racionalismo Cristão - Por Felino Alves de Jesus

Racionalismo Cristão é a doutrina que, fundada por Luiz de Mattos, difunde a afirmativa básica de que no Universo tudo se resume simplesmente nos princípios Força e Matéria.

Baseado nestes dois princípios, o Racionalismo Cristão explica o que antes era mistério nas doutrinas ocultistas e espiritualistas.

O Racionalismo Cristão explana e esclarece os princípios que Jesus, infelizmente, não teve tempo de consolidar, porque foi prematuramente arrancado à vida.

O Racionalismo Cristão explica que Jesus não realizou milagres; que apenas se utilizou das leis naturais e imutáveis que regem o universo.

Não convinha aos sacerdotes das religiões da época, não convinha aos dominadores do povo, que Jesus continuasse com suas explanações revolucionárias de que o homem em si é um deus, porque contém em si uma partícula de Deus, que é Força Universal, o Foco da Inteligência Universal.

Igualmente não convém hoje às religiões o esclarecimento da massa humana, porque ela, esclarecida, repudiará suas maldades, sua hipocrisia, sua tendência de embrutecimento do raciocínio humano, para melhor dominá‑lo.

Afirmando serem Força e Matéria os únicos princípios componentes do Universo, o Racionalismo Cristão ensina o ser humano a aplicar a lei psíquica de atração a estes dois princípios.

Explica como, pela ação do pensamento, se atraem as Forças Superiores e se repelem as inferiores.

Soluciona uma multidão de fenômenos não compreendidos, e, por isso mesmo, considerados como inadmissíveis pela ciência e como sobrenaturais ou milagres por toda a gente.

Dá ao homem o conhecimento das categorias de ordem espiritual, e como elas se manifestam e operam, quer para o bem, quer para o mal, para beneficiar ou danificar o ser humano.

Demonstra que são as forças inferiores as causadoras de muitos males psíquicos e fisiológicos de que sofre a humanidade.

Nos capítulos anteriores fizemos algumas considerações sobre teorias existentes, no meio científico, a respeito da matéria, da energia etc.

Entretanto, a nossa finalidade não é complicar a linguagem, não é subir às transcendências científicas.

Temos interesse de descer nossa linguagem, nossa explanação, ao máximo de simplicidade. Desejamos que aqueles que não tiveram a oportunidade de alcançar um certo grau de cultura, apreendam o que expomos, e alcancem, com seus raciocínios, a importância desta Doutrina, apresentada com clareza e sem exageros e pernosticismos científicos.


Basicamente são dois os princípios existentes no Universo: Força e Matéria.

Quando dizemos Força não nos queremos referir à força tal como é estudada na Física, representando um produto de uma massa por uma aceleração.

Força, para nós, é a Inteligência Universal, é o princípio animador da Matéria.

Não nos deteremos, também, mais, sobre o estudo da Matéria. Bastam as divagações que, a respeito, já fizemos nos capítulos anteriores.

O que é importante frisar é a ação contínua da Força sobre a Matéria, em todos os fenômenos.

O Universo inteiro – este Universo que não podemos compreender em toda a sua plenitude e sim apenas em uma mínima fração, pois o alcance de nosso raciocínio é, ainda, demasiado limitado – a Força o mantém regido sob leis naturais e imutáveis. A imutabilidade destas leis pode ser verificada, facilmente, em qualquer dos ramos das Ciências. Os movimentos dos astros podem ser previstos, exatamente, com centenas de anos de antecedência.

Dentro dessas leis naturais e imutáveis deve ser colocado o homem.

Ele tem por dever estudar e compreender a verdade sobre si próprio, sobre sua composição astral e física.

Sabendo que Força e Matéria são os únicos princípios fundamentais do Universo; que a Força é o agente ativo, inteligente, transformador; que a Matéria é o elemento passivo, inerte, plasmável; que ambos, na sua forma original, indivisível, fundamental, imponderável, penetram em todos os corpos, estendendo-se pelo espaço infinito Universal, o homem deve indagar como agem esses princípios na sua própria constituição.

Da mesma maneira que é mantido o equilíbrio perfeito nos inúmeros sistemas solares do espaço, igualmente é mantido o equilíbrio dos movimentos executados pelas diversas partículas que constituem o átomo.

Portanto, mesmo no átomo, a Força demonstra a sua existência, sua ação.

Começando sua evolução na estruturação do átomo, a Força passa, depois, a outras ordens de aplicação construtiva, animando moléculas, células, tecidos.

Agregando, desagregando, transformando os corpos, a evolução da partícula de Força se vai efetuando, ela vai adquirindo maior grau de inteligência. E, à proporção que esta evolução se torna sensível, a partícula de Força vai animando corpos que apresentam maior grau de atributos inteligentes.

Assim, depois de ter entrado na composição de corpos do reino mineral, do reino vegetal e do reino animal, a partícula de Força fica em condições de constituir microrganismos de ínfima espécie. Destes microrganismos de ínfima espécie, vai passando, evolutivamente, através de outras espécies e de outros organismos de maior desenvolvimento.

Enquanto que nos átomos e moléculas a Força Inteligente se limita a movimentos vibratórios internos, já nos microrganismos apresenta, também, a ação do movimento exterior, de locomoção. E quando estes organismos se tornam mais desenvolvidos, aparecem as primeiras manifestações de Inteligência.

À proporção que vai passando de um corpo para outro mais evoluído, a partícula de Força vai adquirindo maiores e mais evidentes qualidades de Inteligência. Neste evoluir contínuo ela alcança um estágio em que já pode animar os corpos humanos dos mais embrutecidos estados.

Ao alcançar este grau de evolução a partícula de Força recebe o nome de espírito, e, como espírito, encarna inumeráveis vezes, isto é, anima corpos humanos sucessivamente, adquirindo sempre mais inteligência, mais luz, mais experiência, mais conhecimentos, mais clara concepção da vida e maior capacidade de raciocínio.

Na sua trajetória evolutiva de corpo em corpo, de encarnação em encarnação, o espírito vai passando pelos diversos estados, pelas contínuas lutas, pelos vários ambientes necessários ao seu progresso, até o momento em que a evolução alcançada permita que ele continue a viagem, rumo à perfeição total, em outros mundos mais adiantados que o planeta Terra.

A mente humana não se conforma com a concepção do infinito, e só a aceita como um apoio teórico que lhe facilita os cálculos matemáticos.

O raciocínio do homem, utilizando todos os seus conhecimentos adquiridos, não está apto, ainda, a transpor um curto limite que é, no entanto, já por ele, considerado transcendente.

Em outras palavras: o campo de lucidez intelectual humano é ainda muito curto, e ele deve limitar-se a pôr em prática a fração da Verdade já contida dentro desse seu restrito campo lúcido de compreensão, para, adquirindo novos conhecimentos, avançando pela estrada evolutiva, poder apoderar-se de mais uma fração da Verdade, e, nesse movimento sucessivo e dependente mutuamente de avançar para adquirir Verdade e de adquirir Verdade para avançar, chegar ao término da viagem, alcançar o repouso eterno, apreender e dominar a Verdade absoluta.

Consciente, portanto, o ser humano de sua limitada compreensão, deve concentrar-se, apenas, nos pontos aproveitáveis para a sua evolução, dedicando-se ao estudo e à luta, para dilatando seus atributos espirituais, aumentar a capacidade irradiativa de seu raciocínio.

O planeta em que vivemos, onde tanta luta, tanta inveja, tanta ambição se entrechocam violentamente, nada mais é que uma partícula de pó em relação ao Espaço Infinito.

É tão vasto o espaço, que a medida utilizada para avaliar as distâncias astronômicas é a extensão que os raios luminosos percorrem por segundo, isto é, cerca de 300.000 km.

Para chegar à atmosfera da Terra, as ondas dos raios cósmicos viajam uma distância que a luz, com sua velocidade de 300.000 km por segundo, percorreria em dezenas de milhares de anos.

Evidentemente, sendo tão humilde o planeta Terra diante da magnificência infinita do Universo, é justo que, igualmente, seus habitantes sejam humildes e modestos no saber, na inteligência, na evolução.

Se dissermos ao leitor que a Inteligência Universal é Luz Astral contínua que chega a todos os pontos, tudo animando, tudo vivificando, a qualquer momento, seja dia ou seja noite, talvez um sorriso cético e desdenhoso lhe aflore aos lábios.

Entretanto, os sentidos físicos são muito limitados, e os seres geralmente só creem no que estes sentidos podem constatar.

Se, por exemplo, os raios caloríficos se tornassem visíveis, esconderiam todos os objetos; se pudéssemos constatar visualmente a existência dos raios infravermelhos a natureza se apresentaria aos nossos olhos com aspecto notavelmente diverso.

E, no entanto, os raios caloríficos ou infravermelhos são fenômenos puramente físicos. Portanto, como maior razão, não é absurdo declarar-se que a Luz Astral, que é um fenômeno espiritual, seja invisível aos olhos físicos.

Os espíritos, de acordo com sua evolução, são divididos em classes. Os que fazem sua evolução neste planeta pertencem às primeiras dezessete classes de uma série de trinta e três. Os espíritos das classes restantes da série continuam a evoluir em meios adequados e mais adiantados que o do planeta Terra.

Acima da classe décima-sétima só eventualmente algum espírito encarna, não por exigência de sua própria evolução, mas para auxiliar a humanidade a levantar-se, espiritualmente, numa espontânea manifestação de abnegação e desprendimento. Milhões de outros destes, embora não encarnados, se dedicam, especialmente por intermédio das Casas Racionalistas Cristãs, a auxiliar o progresso dos seus semelhantes menos desenvolvidos e encarnados no planeta.

Os espíritos, distribuídos pela série de trinta e três classes, de acordo com o grau de evolução de cada um, processam o seu desenvolvimento espiritual partindo da seguinte ordem de mundos:

a)     mundos densos - espíritos da 1a à 5a classe;
b)     mundos opacos – espíritos da 6a à 11a classe;
c)     mundos intermédios – espíritos da 12a à 17a  classe;
d)     mundos diáfanos – espíritos da 18a à 25a  classe;
e)     mundos de luz – espíritos da 26a à 33a  classe.

Depois da trigésima-terceira classe a evolução do espírito prossegue por uma nova fase cada vez mais acentuada, para a perfeição absoluta.

Dissemos que os espíritos pertencentes às primeiras dezessete classes da série de trinta e três acima especificadas fazem sua evolução, quando encarnados, no planeta Terra.

Isto quer dizer o seguinte: existem os mundos de estágio e os mundos escolas. Os espíritos, quando desencarnados, permanecem nos mundos de estágio a que pertencem, de acordo com suas classes. Os mundos escolas são aqueles em que os espíritos, como no planeta Terra, fazem sua evolução no estado de encarnados.

Normalmente só encarnam no planeta Terra os espíritos pertencentes aos mundos materializados, opacos e brancos.

A evolução dos espíritos até chegar à décima-oitava classe exige um número enorme de reencarnações que se efetuam em períodos diversos de espírito para espírito, mas que se elevam a milhares e milhares de anos. Se uma encarnação é mal aproveitada, há necessidade de repeti-la, tendo o espírito de passar pelas mesmas fases até conseguir dominar a fraqueza que o tenha feito perder a referida encarnação.

O espírito, no mundo que lhe é próprio, tem conhecimento do que se passa nos mundos das classes inferiores à sua, mas desconhece o que ocorre nas superiores.

Neste seu mundo, antes de encarnar, ele faz a previsão aproximada de sua trajetória pelo mundo-escola. Ele sabe, de antemão, as lutas e os dissabores que terá de enfrentar, como encarnado, mas desejando fazer sua evolução aos mundos superiores, decide-se a enfrentar todos os embates.

Jesus é um espírito evoluidíssimo que veio à Terra com o desejo de implantar uma Doutrina espiritualista, capaz de auxiliar o progresso das massas embrutecidas pelos vícios de toda espécie.

A Doutrina que Jesus tentou explanar, o Racionalismo Cristão já conseguiu codificá-la e a difunde desde 1910, indiferente aos cegos, aos céticos e aos que não querem compreender a realidade da Vida.

Antes de encarnar, o próprio espírito, de acordo com as lutas que necessite travar, com as dificuldades que precise enfrentar para sua evolução, escolhe, cuidadosamente, a família que mais lhe convém e que maiores oportunidades lhe ofereça para destruir suas más qualidades e desenvolver as boas.

O espírito é Luz, é Inteligência, é imaterial. Entretanto, possui um corpo astral que é material, que é constituído de matéria fluídica, invisível aos olhos humanos. Esta matéria fluídica é retirada do mundo em que estagia o espírito quando não encarnado, isto é, do mundo a que pertence, de acordo com sua classe.

Quanto mais evoluído é um espírito, mais diáfano é o seu corpo astral, porque mais diáfana é a matéria fluídica do mundo a que pertence.

Uma vez tendo o espírito escolhido sua mãe carnal, por ocasião da fecundação, acompanha a gestação até o terceiro mês ligando-se ao feto por cordões fluídicos. O seu corpo astral, formado de matéria fluídica, vai envolvendo, molécula a molécula, o corpo carnal em formação, tomando-lhe a forma exata; esta operação é feita ficando o espírito do lado de fora do corpo da gestante, onde se conserva, irradiando para o feto, até o momento em que este vem à luz.. Nessa ocasião, quando a criança chora, dá-se a posse total do corpo pelo espírito, que se conserva justaposto ao lado esquerdo do mesmo.

A partir desse momento o espírito está encarnado, havendo, portanto, três corpos, a saber:

a)     corpo mental (espírito);
b)     corpo astral ou perispírito (matéria fluídica);
c)     corpo carnal (matéria organizada composta).

Portanto, o ser encarnado possui em si os dois princípios básicos componentes do Universo: Força e Matéria. Conseqüentemente deve saber viver, distintamente, as duas variações da vida, a material e a espiritual.

O corpo mental é o agente vivo e inteligente que governa os outros dois corpos. Enquanto que a matéria, quer do corpo astral, quer do corpo carnal, vai sendo substituída, de acordo com a evolução do espírito, este último cada vez mais dá demonstrações de inteligência, de potencialidade e de Vida.

O corpo astral ou perispírito é o intermediário entre o corpo mental e o corpo carnal. Ele se liga ao corpo mental, partícula por partícula, por intermédio da vibração inteligente, que é contínua e ininterrupta. Quando o corpo carnal adormece, o espírito afasta-se dele, juntamente com o seu corpo astral, do qual não se separa. Entretanto, mesmo afastado, mantém-se ligado ao corpo carnal pelos cordões fluídicos do corpo astral. O espírito pode afastar-se a distâncias incomensuráveis, porque a natureza dos cordões fluídicos permite esse fato, e também porque a relatividade das distâncias conhecidas na vida terrena são completamente diversas na vida espiritual; esses cordões só se despregam do corpo carnal no ato da desencarnação.

O corpo carnal, esse corpo tão estudado pela Ciência Médica, apenas serve para fornecer ao espírito a oportunidade de travar as lutas, realizar os trabalhos, combater os defeitos, desenvolver as boas qualidades a que se dispôs antes de encarnar.

Quando o espírito encarna, isola-se de seu passado, isto é, esquece-se das suas encarnações anteriores e da sua existência quando em estágio em seu mundo próprio, no intervalo entre as várias encarnações. Esse esquecimento temporário do passado só lhe traz vantagens, pois a lembrança dos erros anteriores nunca lhe permitiria cumprir com tranquilidade seus deveres correspondentes à encarnação atual. Entretanto, ele conserva o resultado das lições aprendidas, a experiência das provas por que passou, as tendências derivadas do uso que fez de seu livre-arbítrio. Isso explica perfeitamente o fenômeno do atavismo, não somente físico como também psíquico, isto é, a retentividade e reprodução de anteriores formas físicas e psíquicas.

Uma vez encarnado, o espírito passa por fases distintas, em cada uma das quais colhe ensinamentos adequados. Essas fases são a infância, a mocidade, a madureza e a velhice. Em cada uma delas o espírito tem predeterminados deveres a cumprir, obrigações a satisfazer, trabalhos a realizar. Ele deve alcançar, normalmente, a última fase, a velhice, pois cada uma delas lhe proporciona experiências e ensinamentos novos. Entretanto, para chegar ao fim da velhice, tem obrigação de andar bastante atento quanto aos cuidados com a sua saúde, a fim de não desencarnar prematuramente.

As condições físicas do planeta, compreendidas pelas mudanças bruscas de temperatura, pela insalubridade de certas regiões, pelos surtos epidêmicos, pelas abundantes vias de contaminações e pelas atuações do astral inferior, são sumamente favoráveis a essa desencarnação prematura, que representa, sempre, um lapso na evolução.

Jesus foi um espírito evoluidíssimo que encarnou com a missão especial de despertar a humanidade para as finalidades da Vida, ensinando-lhe o que atualmente já o Racionalismo Cristão tem elementos para difundir. Entretanto, Jesus foi prematuramente arrancado à vida sem ter podido terminar sua missão. Seus ensinamentos foram, depois, completamente deturpados e explorados com fins políticos, chegando aos nossos dias sob o nome de religiões ou seitas completamente mentirosas e falsas.

O espírito, ao desencarnar, retira-se com seu corpo astral. Os cordões fluídicos, ligados desde o período da gestação ao cérebro e ao coração, desprendem-se, deixando o corpo inerte, sem mais a expressão da vida, resultando apenas em um composto de matéria que, instantes após a retirada do espírito, começa a desintegrar-se. Posteriormente esta matéria desintegrada passará a compor outras formas, e integrar outros organismos.

Uma vez desencarnado o espírito, nenhum auxílio lhe prestarão os encarnados mandando rezar missas, encomendando orações etc. Pelo contrário, essas missas, essas orações, essas evocações, prejudicam o espírito desencarnado, porque o prendem atrativamente à atmosfera da Terra, quando ele necessita justamente abandonar o ambiente terráqueo e seguir para seu mundo próprio, seu mundo de estágio.

O espírito ao encarnar, conforme já o dissemos, vem de seu mundo próprio com seu corpo astral, imponderável aos sentidos físicos, constituído de fluidos da atmosfera desse mundo. Entretanto, no estado de encarnado, se não sabe viver racionalmente as duas vidas – a material e a espiritual – vai embrutecendo seu perispírito, seu corpo astral, vai tornando-o pesado, denso, pela introdução dos fluidos da atmosfera da Terra.

Assim sendo, ao abandonar o corpo físico com o corpo astral demasiado materializado, sente-se perturbado e continua a viver, no estado de espírito, na atmosfera da Terra, como se encarnado ainda estivesse. Portanto, todos os espíritos que se encontram na atmosfera da Terra são perturbados, isto é, não compreendem ainda a sua real situação, não têm consciência de que devem seguir para um outro mundo a que pertencem. Os conhecimentos que eles possuem são exatamente os mesmos adquiridos quando encarnados.

Toda essa camada atmosférica que envolve o planeta Terra, e em que perambulam os espíritos desencarnados perturbados, denomina-se astral inferior. Assim, quando dizemos espíritos do astral inferir, queremos nos referir aos espíritos que, ignorantes de sua própria trajetória evolutiva, estacionam e vagueiam na atmosfera da Terra.

Sendo a mediunidade intuitiva comum a todos os encarnados, os espíritos do astral inferior dela se servem para incutir no mental dos mesmos os mais disparatados propósitos. Resulta que muitos indivíduos apresentam manias de perseguição, alguns o hábito de ver as coisas sempre pelo lado negro, e, ainda outros, a tendência, já por si doentia, de se sentir atacados das mais variadas moléstias.

Podemos, mesmo, afirmar que a maioria dos suicídios, dos casos de loucura, das desavenças, das incompatibilidades, das malquerenças, dos distúrbios, das arruaças, dos conflitos, das agressões, das discussões, das desordens, das intrigas, das convulsões por paixão política, é provocada pela interferência das forças do astral inferior.

Embora existam espíritos bem intencionados no astral inferior, eles nada de útil podem proporcionar à humanidade, pois suas melhores intenções são neutralizadas pela ação direta dos fluidos próprios ao meio, produzindo males que variam de aspecto e de intensidade de acordo com o grau espiritual do desencarnado.

O primeiro dever do espírito, ao desencarnar, é ascender ao mundo próprio, diretamente, sem estagiar na atmosfera da Terra. O espírito que, quando encarnado, soube respeitar as qualidades espirituais inatas, soube dar à vida material apenas o valor que ela tem, soube reconhecer no trabalho uma das razões de viver e soube vibrar em harmonia com a Consciência Universal, esse espírito, ao desencarnar, sente a ação atrativa das Forças Superiores e translada-se imediatamente, para o mundo próprio à sua classe, sem estagiar, por um só instante, no astral inferior.

O espírito, no mundo próprio à sua classe, não pode evoluir, pois todos os espíritos que se encontram numa mesma classe possuem o mesmo grau de evolução, não havendo, conseqüentemente, transmissão de saber de uns para outros. Lá, no seu mundo de estágio, tem conhecimento de tudo quanto se passou com respeito às suas encarnações, pois, desde a sua origem grava, pela ação vibratória do pensamento, em matéria fluídica, todas as ocorrências verificadas na sua existência.

Os espíritos até o décimo-sétimo grau de evolução fazem o seu progresso espiritual reencarnando. Desse grau para cima a evolução se processa no Espaço, o qual tem a denominação de Astral Superior.

Um dos deveres dos espíritos do Astral Superior é o de concorrer para a evolução dos encarnados nos planetas escolas.

Os espíritos do Astral Superior não podem alcançar a Terra sem que nela sejam estabelecidos pólos de atração, suficientemente fortes, para esse expresso fim. Esses pólos são estabelecidos com o concurso de espíritos dos mundos opacos, isto é, espíritos da 6a à 11a classe, que trabalham a serviço das Forças Superiores. Estes espíritos deveriam fazer a sua evolução encarnando no planeta, mas, tendo perdido várias encarnações sem progresso, decidiram processar a sua evolução no Espaço a serviço das Forças Superiores. Por este processo o curso da evolução é muitíssimo mais lento, mas tem a vantagem de não haver risco de perda de tempo, afogando-se, como acontece a milhões de encarnados, em paixões mundanas.

Os espíritos dos mundos opacos dispõem de corpos astrais de matéria fluídica mais ou menos densa com os quais podem se locomover na superfície do planeta. Estes espíritos, rigorosamente disciplinados pelas Forças Superiores, conseguem desenvolver valioso trabalho, com que habilitam aquelas Forças a desempenhar seus elevados misteres, nos trabalhos de alto valor espiritualista.
Nenhum espírito encarna partindo do astral inferior, isto é, da atmosfera da Terra.

O espírito só encarna partindo do seu mundo próprio, após ter examinado os atos de sua última encarnação e de ter feito os planos necessários para avançar sempre e sempre pela estrada evolutiva que o conduzirá à Inteligência Absoluta.
Neste capítulo foi exposta, simples e condensadamente, a Doutrina Racionalista Cristã, consolidação dos princípios explanados por Cristo.

A preocupação nossa foi falar com clareza, fugindo de divagações transcendentes, de modo a que o leitor, num relance, pela leitura de um simples capítulo de um pequeno livro, pudesse vislumbrar a Verdade, pudesse se compreender a si próprio.

Racionalismo Cristão

Por Felino Alves de Jesus

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